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segunda-feira, dezembro 01, 2008

Sesimbra
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     Em 1973 a empresa António Xavier de Lima, promotora de grandes loteamentos clandestinos no concelho de Sesimbra, fez publicar este anúncio, que começava com uma citação de Maxwell Lehman: «Lisboa atravessará o Tejo...»
     Lehman era um especialista de Administração Pública da Universidade de Long Island e dera uma conferência em Lisboa, no American Club, no dia 13 de Maio de 1970, sobre "Problemas das cidades nos EUA e em outras partes do mundo" — onde terá talvez emitido a citada profecia. Mas Lisboa já tinha começado a crescer para esta Outra Banda, particularmente depois da inauguração da Ponte Salazar, em 6 de Agosto de 1966.
     A Câmara de Sesimbra teria de fazer qualquer coisa: até na Assembleia Nacional já o deputado Peres Claro denunciara a cavalgada das urbanizações clandestinas na península da Arrábida. Talvez por uma razão táctica, a Câmara escolheu a Lagoa de Albufeira, onde a oposição dos proprietários poderia parecer menos forte e iniciou ali a demolição de construções clandestinas, no dia 24 de Janeiro de 1973 — mas enganava-se: a ordem para interromper as demolições veio célere e directamente do Governo.
     Aqueles que andam à procura de marcos miliários para balizar a História de Sesimbra têm aqui uma data incontornável: 24 de Janeiro de 1973, o dia em que um Professor de Direito anulou uma decisão legítima duma Autarquia Local. Poucos dias depois, no inicío de Fevereiro, era publicado o anúncio reproduzido acima. Fazia todo o sentido: a decisão do Chefe do Governo equivalia à legalização de todos esses loteamentos. O anúncio onde a empresa AXL se arrogava de possuir ["para venda", subentende-se] "moradias, quintas, prédios de rendimento, zonas rurais, matas, praias, piscinas, desportos...", para além de terrenos com "água, luz, telefone e estradas asfaltadas", era apenas a publicação do Grande Alvará emitido por Marcelo Caetano.

13 Comentários:

Às 1/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

Finalmente foi descoberto o culpado.
24/Janeiro/1973 - 1/Dezembro/2008 (com o 25/Abril/74 pelo meio).
Podem assim continuar à vontade a vossa obra porque afinal a culpa é do Marcelo.

 
Às 1/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

Pois sim ,É verdade a culpa é sempre do Marcelo , Muito bem dito

 
Às 1/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

MAIS DOIS PARVOS(comentários).

 
Às 2/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

Já agora gostávamos de ouvir a opinião do 3º PARVO (comentário).
Entre 1973 e 2008 passaram 35 anos.
É curiosa a insinuação da táctica da Câmara, da época, em começar as demolições na Lagoa.
Os comentários a este anúncio da empresa AXL são mesmo muito curiosos. Se não são anedóticos são no mínimo hilariantes.
Passados 35 anos, quantas empresas AXL existem?
Resposta: Muitas mais.
Durante 35 anos o que se fêz para acabar com os clandestinos?
Resposta: Multiplicaram-se.
Quanto à táctica da Câmara, uns autenticos aprendizes comparativamente às tácticas, trocas, baldrocas e outras tantas acabadas em "ocas" que as Câmaras actuais fazem.
A culpa é só mesmo do Marcelo!

 
Às 2/12/08 , Blogger Jilly disse...

Super choice for Theme Day. I'd expected the design to be on a grander building. Love that even quite insignificant buildings are decorated.

 
Às 2/12/08 , Blogger J.A.Aldeia disse...

Ao último anónimo: sempre gostava de saber porque se irritou tanto com este post, pois não vejo qualquer justificação para tal. No post não se diz que a culpa da construção clandestina é do Marcelo: apenas se relata um facto bastante insólito e praticamente esquecido. A sua reacção inusitada e irritada, desculpe que lhe diga, transpira despeito. E parece que me trata como responsável do que se passou (e passa) em termos de construção em Sesimbra, mas também nisso manifesta ignorância: fraca pontaria.

Há nestes comentários, como já se tem passado em outros, uma espécie de policiamento do pensamento: um simples escrito como este, em vez de ser comentado de forma civilizada, é imediatamente zurzido com tiques inquisitoriais.

Quer os dois primeiros anónimos, quer este último, escrevem de forma bastante desarticulada. Se o seu pensamento tem a mesma solidez do que escrevem, bem podem dedicar-se a arrumar carros.

 
Às 2/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

"Quem é o sr. que marcava presença em todos os acontecimentos culturais ou pseudo-culturais (botando sempre faladura para marcar terreno) mas que desde que se tornou director só aparece nas organizações da Câmara, ou patrocinadas pela Câmara?

Coincidências ou confirmação do prevísivel? "
Blog Rede da xixa

 
Às 2/12/08 , Blogger J.A.Aldeia disse...

Agradeço a reprodução desta citação, retirada de um dos blogs mais indigentes que conheço, e que me permite evidenciar duas das mais deprimentes características deste meio — a inveja e o despeito. Para além de ser uma mentira, é sobretudo o ar de denuncia pidesca destas palavras que mais choca. Como é que uma pessoa pode descer tão baixo?

E depois, porque é que esta citação é feita aqui, onde o tema nada tem a ver?

Peço desculpa aos leitores por repetir a pergunta, mas a questão, na minha opinião, é significativa: porque é que este post, apenas com o relato de uma ocorrência de 1973, irritou tanto esta pessoa?

 
Às 2/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

pidesca ou do copcon

 
Às 2/12/08 , Blogger J.A.Aldeia disse...

Se quiser, pode ser: não me dei bem com nenhum deles — embora aqui em Sesimbra esse papel tenha estado entregue aos Fuzileiros, que não se devem confundir com a fanfarronice da tropa otelista. A parvoíce não escolhe regimes nem gerações: encontra-se em todo o lado. Mas sob esta forma grosseira aparece sobretudo quando os autores se julgam cobertos pelo anonimato, o que diz muito acerca do seu carácter.

 
Às 2/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

So os quis comparar(como iguais nos metodos) concordo plenamente consigo

 
Às 3/12/08 , Anonymous Anónimo disse...

Se não fossem os anonimos o que seria dos blogs?

 
Às 3/12/08 , Blogger J.A.Aldeia disse...

Já aqui expliquei que não vejo qualquer problema em que se façam comentários anónimos. O que me parece criticável, e não é só na blogosfera, são as calúnias e denúncias fetas sob anonimato.

 

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