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segunda-feira, julho 10, 2006

Fragata Numância


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Durante toda a vida ouvi chamar "Cruzador Numância" ao navio que naufragou na praia de Sesimbra em 16 de Dezembro de 1916, mas este belo navio era, na realidade, uma fragata de guerra.

Construída em 1893, foi um navio inovador na sua época e chegou a constituir o barco mais importante da frota de guerra espanhola, mas a sua supremacia durou muito pouco tempo, por causa da rápida evolução das tecnologias de construção naval. Poucos anos antes do Numância, os navios de guerra eram todos construidos madeira e deslocvam-se à vela; poucos anos depois seriam todos de ferro e utilizariam as caldeiras a vapor como principal força motriz; o Numância representou uma transição entre ambos.

De facto, a fragata Numância era construída em madeira, mas encontrava-se protegida contra tiros de canhão por grossas placas de ferro até um pouco abaixo da linha de flutuação. O problema é que o peso adicional se reflectia negativamente no seu desempenho. Tendo sido enviada para as possessões espanholas do Pacífico, através do perigoso Estreito de Magalhães, a viagem foi considerada um grande feito, já que os barcos blindados estavam então restringidos à navegação costeira ou fluvial. Fez depois a viagem de regresso a Espanha pelo Índico e Cabo da Boa Esperança, tornando-se no primeiro barco blindado a circum-navegar o planeta.

Mas como se tornou rapidamente obsoleta, a fragata voltou em 1896 aos estaleiros para ser transformada numa espécie de "guarda-costas couraçado", tendo sido eliminado o aparelho vélico - os altivos mastros foram substituídos por dois mais pequenos, encimados com "ninhos de pega" - visíveis na fotografia de baixo. Depois passou a integrar a esquadra de instrução, tendo desempenhado as humilhantes funções de estação flutuante (em Tanger) e de asilo de órfãos da Armada espanhola.

Em 1912 foi desactivada e colocada à venda. Houve ainda um movimento de opinião para que fosse preservada como navio histórico, mas acabou por ser vendida como sucata a uma empresa de Bilbao. Por três vezes se tentou que fizesse a viagem entre Cádiz e o porto biscainho, onde as couraças iriam ser derretidas para os altos-fornos. Incapaz de navegar pelos seus próprios meios, deslocava-se com a ajuda de rebocadores. Foi no decurso da terceira tentativa que encalhou definitivamente em Sesimbra. Perante a aproximação de um temporal, os rebocadores procuraram abrigo em Setúbal, deixando a Numância fundeada em Sesimbra com alguns tripulantes a bordo, os quais tiveram de ser salvos com a ajuda de um cesto suspenso num cabo lançado de terra por um foguete. Transportava 1.300 toneladas de sal, o qual voltou a ser deitado ao mar por não se justificar o pagamento de direitos alfandegários.


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A fragata Numância na praia de Sesimbra.

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