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sexta-feira, setembro 22, 2006

Raul Brandão


Raul Brandão


José Cardoso Pires

     «Depois [Raul Brandão] ... volta à pesca e logo anota a voracidade dos conserveiros e dos armadores corsários: "Pescam nas nossas águas", escreve ele, "os galeões espanhóis, os navios ingleses e franceses e as criminosas traineiras depois de exterminarem o peixe na costa da Galiza e na baía de Vigo [...] Viu-se os exploradores republicanos continuarem a obra dos exploradores monárquicos. O peixe é caro porque está na mão de empresas poderosas que o vendem pelo preço que entendem.
     «Transcrevo estas linhas de Os Pescadores datadas de há 64 anos e penso nas frotas insaciáveis dos países fortes da CEE que nos vigiam, prontas a largar amarras. Eles sabem que somos um país mentido, um país oficialmente agrícola que importa mais de metade da agricultura de que necessita para sobreviver, mas sabem também a nossa costa e cobiçam-na como um dos viveiros do melhor peixe do mundo. Portugal não morre enquanto tiver o pescador e a mulher como produtores de exportação, diz Raul Brandão por outras palavras. E justifica: "É ela a mulher quem nos salva parindo filhos sobre filhos para a emigração. Creio que só assim, parindo e gemendo, é que se equilibra a nossa balança comercial".»

José Cardoso Pires, prefácio a uma edição de 1986
de Os Pescadores, de Raul Brandão.

2 Comentários:

Às 24/9/06 , Anonymous Anónimo disse...

Vá lá a gente perceber isto!
Fala-se aqui de um Brandão que não é Preto como os irmãos que tinham a oficina na rua Direita.
E ontem lançaram (ao ar? ao mar?) um livro de outro Preto que não era Brandão mas Rumina.
Importa-se, senhor Aldeia, de esclarecer a vila?

 
Às 24/9/06 , Blogger Joao Augusto Aldeia disse...

O caso é complexo, tanto mais que esse Preto, se não era Brandão, muito menos Rumina era: era Luz, e de outra era. Alguém que faça luz!...

 

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