Estrada 378

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A fealdade daquele percurso é preocupante, dado que o turismo é um dos pilares do desenvolvimento desta região, e aquela é a via de acesso dos turistas que procuram Sesimbra vindos de Lisboa, nomeadamente os que chegam pelo aeroporto (o que pensarão eles daquele "faroeste" pós-moderno?) Mas, pior do que isso, é que subjacente a esta ocupação se encontra um crime ambiental, daqueles a que os nossos ambientalistas, ocupados com os casos mais mediáticos, não dão muita atenção: estas construções encontram-se sobre uma linha de água, uma zona de várzea e solo de grande qualidade agrícola.
E quando, nos anos 60, me deslocava diariamente de carreira para a escola comercial de Almada, toda aquela várzea se encontrava agricultada com pequenas hortas e eu gostava de ver a variedade de plantações e a azáfama dos que ali trabalhavam. Quando, em 1971, trabalhei para um estudo do INE sobre os transportes, fiz vários inquéritos naquele local - que ainda pertencia administrativamente a Sesimbra - incluindo a um agricultor que estava a trabalhar naquela terra negra. Actualmente, quase tudo está ocupado com os negócios que referi, esmagado sob o cimento.
O blogue A-Sul, que tem vindo a chamar a atenção para problemas ambientais da margem-sul, veio alertar para mais uma discutível ocupação desta linha de água: trata-se da implantação de uma central de betão, na zona já próxima da auto-estrada - ver imagem. O blogue chama especialmente a atenção para o facto de ser naquela zona que a Câmara do Seixal pretende que se localize o futuro hospital regional.
O blogue A-Sul tem feito uma notável defesa ambiental da margem-sul, e particularmente da zona verde do Pinhal dos Frades/Flor da Mata, que se encontra sob grande pressão urbanística. Vale a pena ler os arquivos deste blogue desde o início, repletos de casos bem documentados, tais como o da piscicultura em Corroios localizada junto a uma ETAR, ou a discutível localização do Centro de Estágios do Benfica (aqui, aqui e aqui).
O blogue inclui também fotografias notáveis, como estas da pedreira e Ribeiro do Cavalo, da Lagoa de Albufeira ou da herdade e Ribeira da Apostiça.
| Notas: Foi nesta zona da Flor da Mata que António Cagica Rapaz deparou com a cena que lhe inspirou o texto Chapéu de sol na Primavera. (*) Experimente-se abrir o Google Earth nas coordenadas: Instruções sobre o uso do Google Earth aqui. |









3 Comentários:
Não podia ter mais razão! Fernão Ferro é mesmo uma aberração paisagística em Portugal!
A apreciação feita pelo João Aldeia é bastante lúcida, e de uma exactidão extrema.
Infelizmente, Fernão Ferro resume, de modo exemplar, um certo mau gosto português muito do nosso tempo.
E a pergunta que me ocorre é esta: será que a sina do povoado teria sido outra, caso a freguesia se tivesse mantido no concelho de Sesimbra?
Talvez estivesse pior porque pior nem sempre é impossível...
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