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sexta-feira, abril 21, 2006

Outros tempos, outros usos

«Lixos
     Na sede do concelho os serviços camarários de limpeza recolhem diariamente os lixos, transportando-os para um local onde aguardam a venda. No sofrem qualquer tratamento, entrando em expontânea fermentação quando a saída é retardada.
     Ora quando as fermentações não são condicionadas em local apropriado, perde-se grande parte do valor fertilizante, tanto por lavagem como pelas elevadas temperaturas verificadas, e, ainda, pela incidência directa dos raios solares.
     Nos lixos predominam os materiais de limpeza da "lota" do peixe, palha, papéis, cinzas; na época balnear, aparecem as algas de limpeza da praia de banhos e, no outono, folhas de árvores, etc..
     Os lixos são vendidos à razão de 20$00 o metro cúbico, tendo um valor global anual muito variável:
1950 .........
1949 .........
1948 .........
1947 .........
1946 .........
4.000$00
13.000$00
8.000$00
20.000$00
30.000$00
     Todo o lixo é consumido no concelho, destinando-se às culturas hortículas de regadio ou sequeiro, vinhas, etc..
     Não se importam lixos doutros concelhos; se algum entra, a quantidade é tão limitada que não oferecem interesse.
     O transporte do lixo recolhido faz-se em carros de tracção animal (burros, cavalo, boi), a dorso de animal, principalmente asininos, e muito raramente de camioneta.
     Como o volume recolhido é diminuto, ainda não se justificam quaisquer obras dispendiosas para a sua conveniente preparação; contudo, a construção de uma nitreira estava indicada, podendo escolher-se o tipo circular, com capacidade para cerca de 1.000 metros cúbicos.

Guanos
     Preparam-se pequenas quantidades de guano de peixe com os resíduos da indústria conserveira; o aproveitamento é feito pelos próprios fabricantes de conserva, um dos quais o limita à prensagem e venda sem a preocupação do teor em cloreto de sódio, óleo, etc. enquanto que o outro abandonou esse processo para se dedicar a preparação mais racional, obtendo um produto de belo aspecto, que tem colocação garantida como farinha alimentar para gado.
     Há anos atrás, quando a riqueza piscícola era grande, costumavam os agricultores fazer a sua aquisição, fertilizando-se, assim, as terras depois de apodrecido e lavado o peixe pela água das chuvas.
     A tonelada de guano para alimentação do gado varia com o teor proteico; regula entre 1.600$00 e 1.800$00 enquanto que no guano restante fica compreendido entre 900$00 e 950$00.
     A produção de guanos e farinhas, destina-se, quase exclusivamente à exportação.»

Inquérito Agrícola e Florestal
Concelho de Sesimbra - 1951

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