ll

quinta-feira, março 16, 2006

Grande abada!


Muda aos cinco, acaba aos dez,
era assim que se jogava
noutro tempo o futebol
com equipa improvisada
ao acaso do momento.
Qualquer zona descampada
era estádio e bancada
e não tinha hora marcada.

Sem juiz, fiscal de linha,
nem apito ou bandeirinha,
só bom-senso e canelada
finta dura e sem dó
a estratégia era gritada
lá da frente por quem estava
mais a jeito para o tento:
"Passa aqui! Passa aqui, ó!"

Mas se era entre seitas
a partida acalorava
e não era impunemente
que se ia e ganhava
em terreno inimigo.
Quando o jogo terminava
bem podias pôr-te a milhas
ao abrigo da pedrada.

Muda aos cinco, acaba aos dez,
era assim que se jogava.

2 Comentários:

Às 16/3/06 , Blogger Pedro Martins disse...

Meu caro João Aldeia,

Li e reli, deleitado, a "Grande abada". Este poema, qual "madalena proustiana", trouxe-me à memória os tempos da minha adolescência, em que apenas aos fins-da-semana estava em Sesimbra. Então era grande a minha impaciência pela chegada da sexta-feira, pois ao sábado e ao domingo tínhamos os treinos e os jogos do Real Quintinha - uma sucursal do "Madrid", está bem de ver. Lembro-me de ter contratado o Aquiles para treinador - além de um medíocre defesa de futebol, eu era ainda o secretário técnico do clube -, e nesse ano ganhámos um torneio estival, por nós organizado na Quintinha, defrontando, na final, a equipa do Café Convívio.
O João Aldeia descreveu a coisa tal e qual. Soberbo!
Fico-lhe grato pelo magnífico poema.

 
Às 16/3/06 , Blogger Joao Augusto Aldeia disse...

Só a emoção provocada pela evocação desses belos tempos é que pode explicar o exagero do elogio do Pedro Martins, cujo comentário agradeço.

Também eu era um medíocre defesa. Havia uma correlação entre a qualidade e a progressão no terreno: os jogadores mais fracos tendiam a ser colocados na defesa, e os nulos a guarda-redes. O verdadeiro jogador de bola, nestas equipas, era o avançado, e o objectivo era meter golos. Senão, para acabar aos 10, nunca mais dali se saía.

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial

Aguarelas de Turner|  O amor pelas coisas belas |  Angola em Fotos  Aldrabas e fechaduras| Amigos da Dorna Meca| Amigos de Peniche| André Benjamim| Ao meu lado| Arrábida| (flora) Arrábida| (notícias) Arrastão| @tlanti§| Atlântico Azul| Atitude 180| Badamalos| Banda da SMS|  Barcos do Norte | B. dos Navios e do Mar| Blasfémias| Blue Moon I|  Boa Noite, Oh Mestre! | Canoa da Picada|  Carlos Sargedas |  Caminhos da Memória |  Catharsis |  Caxinas... de Lugar a freguesia  | Cetóbriga| Clube Leitura e Escrita| Coelho sem Toca| Cova Gala|  Crónicas de 1 jornalista | De Rerum Natura|  Desporto Saudável | Dias com Árvores| *** Dona Anita ***| Do Portugal Profundo| El mar és el camí| Espaço das Aguncheiras| Estórias de Alhos Vedros|  Estrada do Alicerce | Expresso da Linha|  Filosofia Extravagante | Finisterra| Flaming Nora| Grão de Areia| Gritos Mudos| Homes de Pedra en Barcos de Pau| Imagem e Palavra| Imagens com água| Imenso, para sempre, sem fim| O Insurgente| J. C. Nero| José Luis Espada Feio|  Jumento  Lagoa de Albufeira| Mar Adentro Ventosga| Magra Carta| Marítimo| Mil e uma coisas| Milhas Náuticas| Molino 42| My Littke Pink World| Nas Asas de um Anjo| Navegar é preciso|  Navios à Vista |  Nazaré | Neca| Nitinha| Noites 100 alcool| Nós-Sela| Nubosidade variabel| O Calhandro de Sesimbra|  Orçadela | Página dos Concursos| Pedras no Sapato|  Pedro Mendes | Pelo sonho é que vamos| Pescador| Pexito do Campo|  A Pipoca mais Doce | Ponto de encontro| Portugal dos Pequeninos|  Praia dos Moinhos |  Quartinete | Reflexus| Rui Cunha Photography| Rui Viana Racing| Rumo ao Brasil|  Ruy Ventura | Sandra Carvalho| Sesimbra arqueológica|  Sesimbra Jobs |  Sesimbra Jovem |  Sesimbra, três Freguesias, um Concelho| Se Zimbra|  Simplicidade | Singradura da relinga| Skim Brothers| Sonhar de pés presos à cama|  Tiago Ezequiel |  Tiago Pinhal |  Trans-ferir | Una mirada a la Ria de Vigo|          Varam'ess'aiola |  Ventinhos |


Canoa da Picada