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quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Genuinamente

     (...)
     «Quando Rui Afonso regressou a casa cruzou-se com o irmão Luís que saía para os ensaios do seu grupo carnavalesco, carregando com dificuldade em ambas as mãos a roupa colorida e semeada de brilhantes e penas de aves tropicais, arrastando ainda um grande tambor. O encontro foi rápido e de passagem mas, ainda assim, permitiu mais uma variante das suas usuais picardias acerca do carnaval abrasileirado que agora dominava na vila:
     - Então, lá vais outra vez disfarçar-te de brasileiro...
     - Querias que fosse como - mascarado à pescador?
     - Pelo menos era mais genuíno.
     Era a conversa do costume. Mas desta vez Luís, que já se afastava de casa, parou, voltou-se e mirou o irmão de alto a baixo:
     - E tu estás vestido à quê? Esse pulôver inglês e essas calcinhas italianas são genuínas donde?
     Rui Afonso foi surpreendido pelo argumento - que ouvia pela primeira vez. Riu-se e retorquiu a cantarolar:
     - "Mamã eu quero! Mamã eu quero!..."
     - Tu queres é conversa!
     Luís afastou-se com a tralha e o irmão entrou em casa. Dirigiu-se à cozinha e preparou um martini com limão. Foi depois para a sala onde colocou um disco de música country a tocar baixo, tirou um livro da estante e retomou uma leitura já adiantada. Só lia Lodge em inglês, para não ser atraiçoado pelas traduções, segundo apregoava: "One, two, three, testing, testing … recorder working OK…".
     Em fundo, alguém cantava:
           "In the summer time we didn't have shoes to wear
            But in the wintertime we'd all get a brand new pair...

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