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segunda-feira, junho 06, 2005

A linguagem da infâmia


Transcreve-se abaixo o parágrafo da nota de imprensa do Governo sobre as decisões que tomou no passado Domingo, relativas ao Parque Natural da Arrábida e Parque Marinho de Sesimbra.

Não existe ali uma única palavra sobre os pescadores ou as pescas. Apenas se refere a necessidade de "salvaguarda dos recursos e valores naturais", a "estabilidade e sobrevivência das espécies, grupos de espécies, comunidades bióticas ou aspectos físicos do ambiente" e a "ordenação e disciplina das actividades urbanísticas, industriais, recreativas e turísticas".

O Governo preocupou-se, assim, em "salvaguardar património arqueológico, designadamente, o subaquático, e o património arquitectónico, histórico ou tradicional da região", mas quanto à actividade da pesca, nada!

Especificamente quanto ao Parque Marinho, o texto do Governo salienta a "aplicação, de forma faseada, de normas de protecção complementar, parcial e total", mas com o objectivo da "preservação da biodiversidade marinha para melhor usufruto dos recursos que ela presta".

É a linguagem fria dos tecnocratas, dos biólogos que se preocupam muito com a preservação das espécies mas esquecem a própria humanidade a que pertencem.

É claro que estas palavras são apenas uma introdução. Teremos de ler os regulamentos que foram efectivamente aprovados. Mas esta pobre linguagem tecnocrática revela apenas o que já adivinhamos: que biólogos e políticos pretendem aumentar o seu currículo à custa de programas ambientais que dão mais importância aos recursos marinhos do que ao ser humano. É uma linguagem infame de burocratas sem coração.

Estamos certos que o Professor Luís Saldanha, amigo de Sesimbra, repudiaria esta infâmia gerada por biólogos mediocres. O Professor Luís Saldanha conhecia e vivia Sesimbra. Esta gente ignora Sesimbra - e mata-a!

Este é um momento triste para a comunidade sesimbrense.

texto do Governo:

«Resolução do Conselho de Ministros que aprova o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNArr).


«O Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNArr), aprovado na generalidade, estabelece os regimes de salvaguarda dos recursos e valores naturais e fixa os usos e o regime de gestão a observar naquela área protegida, com vista a assegurar as condições naturais necessárias à estabilidade ou à sobrevivência de espécies, grupos de espécies, comunidade bióticas ou aspectos físicos do ambiente.

«O POPNArr integra parte dos municípios de Palmela, Setúbal e Sesimbra e tem os seguintes objectivos: i) contribuir para a ordenação e disciplina das actividades urbanísticas, industriais, recreativas e turísticas, de forma a evitar a degradação dos valores naturais, seminaturais e paisagísticos, estéticos e culturais da região, possibilitando o exercício de actividades compatíveis com o turismo e a natureza; ii) conservar os recursos naturais da região, através do desenvolvimento de acções tendentes à salvaguarda da flora; e iii) valorizar os recursos naturais, nomeadamente, os marinhos e salvaguardar património arqueológico, designadamente, o subaquático, e o património arquitectónico, histórico ou tradicional da região.

«Neste Plano de Ordenamento definem-se também as regras do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha tendo em vista a preservação da biodiversidade marinha para melhor usufruto dos recursos que ela presta. Nesse sentido, serão aplicadas, de forma faseada, normas de protecção complementar, parcial e total.»

4 Comentários:

Às 7/6/05 , Anonymous Anónimo disse...

È preciso que os pescadores e os sesimbrenses saibam que foram taídos.
Quem anda há anos nas negociações do parque, não é o Arq. Polvora?. Não foi ele que vendeu os pescadores por troca de outras coisas como a Mata de Sesimbra? E tudo isto não foi feito com o acordo do Amadeu Penim?
DEixem-se de ser cinicos. Ainda têm coragem de vir nas manifestações dizer que estão a favor dos pescadores?
Vocês são uns traidores.
E por onda esse mafioso do Dr. Bastos? Que não deixou que este problema fosse discutido na Assembleia Municipal? Fugiu com medo?
O Povo tem de saber destas coisas.
Que diz a tudo isto o Carlos Lopes? Agora que tem o futuro garantido? Está-se nas tintas para os sesimbrenses,com emprego garantido e o terreno aprovado e beneficiado, junto à nova rotunda de Santana, já a gaivota caga na boia e ele que já lá tem um churudo ordenado, tem lá tempo para se ralar com os pescadores.
Estamos bem entregues a esta pandilha de amigos, primos e afilhados - assessores que rebentam com partidos como o PS e também o PCP, já que são os mesmos que acabaram com o MDP, mas que se têm orientado e de que maneira.
BASTA...Porra...
Como Sesimbrense não, posso aceitar isto e já que os Homens não têm coragem de dizer as verdades, que sejamos nós as mulheres de Sesimbra que desmacaremos estes traidores.
MHP

 
Às 7/6/05 , Blogger J.A. disse...

Uma das coisas mais nojentas que tenho encontrado neste processo são as atitudes como aquela que MHP aqui manifesta: em primeiro lugar porque é mentira; em segundo lugar porque é prejudicial à luta dos pescadores.

1º - É mentira, porque aquilo que o Presidente Amadeu Penim e o Arq. Augusto Pólvora têm sempre defendido é a posição que os pescadores também defendem, ao fim de um processo negocial em que foram sempre ouvidos pela Câmara. Nenhum destes políticos traíu os pescadores, porque sempre se manifestaram contra as posições do Parque Natural da Arrábida e do governo; até mesmo, no caso de Amadeu Penim, contra o governo do PS.

2º - É prejudicial, porque o que interessa agora é manter a vila unida contra o governo. Estas tentativas, como a de MHP, de dividir a vila, só pode servir para prejudicar aos pescadores. Portanto, das duas três: ou é patetice, ou é malévola intenção, ou campanha eleitoral precoce.

Aquilo que MHP refere quanto ao Dr. Alarcão Bastos também é mentira - a questão foi colocada na última Assembleia Municipal e esclarecida como falsa; Carlos Lopes também não fugiu, pelo contrário: é agora responsável pelo porto de Sesimbra, e ainda bem para os sesimbrenses.

Este comentário de MHP é calunioso: é daqueles que eu normalmente apagaria, sem qualquer problema, porque este blogue não é nenhuma montra para cagões. Contudo, resolvi não o apagar e utilizá-lo para desmascarar a pessoa e os argumentos. Cá aguardo a resposta do cromo, na certeza de que a seguir leva a dobrar.

 
Às 7/6/05 , Blogger aba disse...

Olá!
Sei que passaram pelo blog.. está retribuida a gentileza em relação ao link! :)
O único pensamento que me ocorre é que, por mais que devamos estar sensibilizados para a biodiversidade, o primado da sobrevivência tem de colocar o homem em primeiro lugar!
Um abraço
António

 
Às 14/6/05 , Anonymous Cetarmande disse...

Se nao biodeversidade (peixe), havera necessidade de pescadores ???
Estou a ver o filme ... esta a faltar o ultimo elo de uma cadeia empresarial.
1 Elo - Os contribuintes atravez do estado dão um subsidio para a construçao de um barco a um armador.
2º Elo - Os contribuintes atravez do estado dão um subsidio para uma licença de pesca ao armador.
3º Elo - Os contribuintes atravez do estado dão um subsidio para a reconversao do barco a outro tipo de pesca.
4º Elo - Os contribuintes atravez do estado dão um subsidio ao armador para abater o barco
5º Elo - O Armador vende o peixe em lotas espanholas pq tem mais facilidade de fugir ao fisco e mais probabilidades de mudar o nome ao peixe q pescou pois as cotas de pesca ja foram ultrapassadas e é preferivel dizimar e render q preservar e ter futuro ... (deixa de contribuir para a Naçao em bens alimentares e impostos.
6º Elo - Vende o barco para os Palop ou faz uma sociedade mista.
Elo k falta - Depois de destruir os recursos durante anos a fio , pede um subsidio ao contribuinte
..............
Onde esta o pescador no meio disto tudo ??
Foi despedido quando acabaram as licenças ... (os subsidios dados aos armadores nao chegaram para dividir com a companha? )
Um Sesimbrense atento

 

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